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Maria Eduarda Almeida,  19 de Agosto de 2020 -

3 min

Como abordar a Saúde Mental na sua Empresa

Conceituar o termo “saúde mental” não é simples, visto que podem ser feitas diversas interpretações sobre. Essa é, normalmente, definida como a qualidade de vida cognitiva e o equilíbrio emocional. Isso implica que a falta de saúde mental causa disrupções profundas nas relações do indivíduo com si e com o outro, além de prejudicar aspectos muito relevantes de sua vida.

A discussão sobre esse tema ainda é considerado um tabu para parte da sociedade; porém, nos últimos anos, a preocupação com o assunto vem ganhando cada vez mais destaque nas organizações. E por um bom motivo: no Brasil, em 2017, por exemplo, transtornos mentais foram elencados em terceiro lugar no que diz respeito ao afastamento do trabalho e correspondiam a 9% do número de concessões do auxílio doenças.

A percepção de que cuidar da saúde mental dos colaboradores é fator decisivo para o sucesso de um empreendimento é algo que nem todo gestor compreende e, por consequência, não investe tempo e recursos para isso. Da mesma forma, muitos funcionários não se sentem seguros de abordar o assunto dentro da organização - dados da Mental Health American afirmam que 55% destes temem tirar folgas para cuidarem da saúde mental. Isso afeta profundamente o clima organizacional da empresa e gera consequências como queda na motivação e na autoconfiança dos colaboradores.

A falta de conhecimento no assunto prejudica ainda mais a situação - graças ao sistema econômico e social que estamos inseridos, muitos pensam que o alto nível de estresse a que se submetem é algo normal. Aliado ao medo do desemprego e a competitividade incentivada pelo mercado, acabam por comprometer sua saúde mental em prol de se manter dentro de organizações que pouco conseguem lidar com o problema. As consequências, é claro, afetam mais que os trabalhadores: essas organizações acabam por perderem espaço no mercado.

Investir em ações internas voltadas para a saúde mental é fundamental para uma empresa, pois além da melhora na qualidade de vida das pessoas e do ambiente de trabalho como um todo, gera uma diminuição dos atrasos e faltas.

 E o retorno financeiro é comprovado: uma pesquisa realizada pela WHO (World Health Organization) avaliou que, com o aumento da produtividade resultante da ação voltada para o cuidado dos colaboradores, os lucros poderiam subir em até 400%.

Sendo assim, torna-se claro o porquê de ser tão necessária a discussão adequada do tema e as práticas visando a melhoria da saúde mental em uma organização. Agora, como abordar o assunto em sua empresa?

Primeiramente, é preciso entender que esse cuidado vai além de uma mera intervenção quando o problema já foi agravado. É importante sempre estar atento se o ambiente de trabalho é adequado, como são os horários de trabalho, se as políticas de segurança estão em dia, como anda a comunicação interna:  tudo isso faz com que, mesmo que frustrações cotidianas aconteçam, possam ser amenizadas. A postura dos que exercem cargos de liderança também é fator determinante, já que pode acabar piorando situações pré-existentes ao se comunicar de maneira mais agressiva, por exemplo.

O  Fórum Econômico Mundial publicou um guia em que apresenta três possíveis abordagens que podem ser tomadas a respeito:


  1. Proteger a saúde mental reduzindo os fatores de risco relacionados ao trabalho;

  2. Promover a saúde mental ao desenvolver aspectos positivos de trabalho e as habilidades dos empregados;

  3. Enfrentar casos de problemas de saúde mental independentemente da causa.

Trazendo para a prática, investimentos em horários mais flexíveis, na melhora da comunicação - que dê espaço para os colaboradores apresentarem suas ideias e questionamentos - e sempre estar atento a como o ambiente de trabalho pode se adaptar para a melhoria da saúde mental como um todo.

É importante também lembrar aos colaboradores que podem e devem buscar bases de apoio, seja dentro ou fora da organização, e fornecer ferramentas para que isso seja viável. Criar um protocolo específico para o cuidado pode ser uma ideia interessante, já que prepara os funcionários para que possam ajudar os seus colegas de maneira adequada e não invasiva.

Algo que pode ser implementado é a promoção de palestras e atividades que dialoguem com o tema. É necessário a saúde mental - de fato, a ausência dela - não seja percebido como algo estranho, exótico, mas também para que tenham um conhecimento sobre o assunto, podendo ajudar os outros e identificar em si pontos de atenção.

Finalmente, tem-se as “práticas interativas”. Adotadas por grandes empresas, melhoram a saúde, concentração, produtividade e o bem estar, afetando de maneira positiva o clima organizacional. A yoga e a meditação, por exemplo, são algumas dessas práticas.

Como foi apresentado, a saúde mental é um assunto muito importante e que merece atenção das empresas, pois afeta diretamente a realidade de milhares de pessoas todos os dias. Um ambiente de trabalho saudável é aquele em que, além do pensamento produtivista, coloca-se como prioridade a segurança e a saúde de todos os envolvidos.

 

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